JTC significa “Jequié Tênis Club”. Pelo nome, logicamente era para ser um clube de tênis. Mas o que menos se faz naquele espaço é a pratica do nobre esporte. Tanto que os campeonatos de tênis tiveram que se organizar e criar um espaço próprio lá pelas bandas do Clube dos Maçons.
Lembro muito bem de um episódio que me ocorreu uma vez. Ainda no final da década de 80, um primo meu que de Rio Branco (AC) veio passar uns dias em nossa casa. Ao passar na frente do JTC ficou muito empolgado para jogar um pouco. Pegou sua raquete e bolas, se arrumou e foi ao clube. A sua surpresa é que na quadra de tênis do clube estavam armando um palco. Era o prenúncio do que viria acontecer nos anos seguintes.

Piscina do Jequié Tenis Club - Foto: Blog do Wilson Novaes Jr.
Além da prática do tênis, o JTC também oferece aos seus associados algumas quadras e piscinas. Era tudo de bom ir pro “tênis” no sábado tomar um sol e um banho de piscina, bater um babinha com a galera enquanto os filhos se divertiam. Belos tempos também os bailes de formatura, casamentos e outros grandes eventos que se realizavam no salão de festas do clube.
Mas sucessivas gestões desastrosas levaram o JTC à bancarrota, o descuido com a manutenção afastou os membros. O clube perdeu a maioria dos associados e também a sua força. Isto fez o clube ter que se sujeitar a alugar as suas dependências para que shows fossem montados em suas quadras. A ótima localização e infra-estrutura fez com que o clube fosse o lugar preferido para se realizar tais shows e festas.
A coisa foi longe demais. Os dirigentes do clube - que provavelmente moram bem longe dele - se esqueceram que o clube se localiza no centro da cidade e que ainda existem centenas de vizinhos nas adjacências e redondezas que simplesmente não conseguem dormir quando tem uma festa. Inicialmente era uma ou outra festa realizada de vez em quando. Mas nos anos mais recentes tinha festa quase toda semana. Chegou ao cúme de se realizar um enorme evento pentecostal que durou quase uma semana consecutiva, com apresentações que iniciavam as 20 horas e praticamente não tinha hora para acabar. Eu que morava na época a quase 600 metros do local, ouvia alto os berros dos pastores que devem pensar que Jesus é surdo. Imagine quem é vizinho de porta do clube? Devia ser um inferno.
Agora que a justiça interveio e pôs - literalmente - um fim à festa. Os dirigentes estão desesperados para encontrar uma solução que faça o “tênis” manter a arrecadação. Provavelmente não vão conseguir se acharem que o único caminho é alugar o evento pra festas. Apegos históricos à parte, acho que o tempo do JTC já passou. Quem tem grana para ser sócio não precisa do clube porque tudo que o clube oferece ele tem em casa. E quem não tem e quer usufruir do clube provavelmente não tem grana pra ser sócio.
Eis o dilema. É uma pena que o clube esteja tão largado. Talvez uma gestão mais criativa conseguiria dar um rumo e salvar o clube, torço por isso!








Comentários