Jornais de Jequié 1: Jornal de Jequié

Joe Edman 05dez06

O Jornal de Jequié é praticamente uma instituição na nossa cidade. Foi fundado em 5 de julho de 1945 pelos jornalistas, membros fundadores da Academia de Letras de Jequié e amigos Wilson Novaes (o pai) e Eusínio Bonfim. Estava praticamente morto quando foi comprado e salvo do fechamento por um importante político de nossa cidade que – não por acaso – também é dono de uma rádio FM, de um Colégio Particular de 2º grau e uma Faculdade.

Acho normal que os políticos utilizem os meios de comunicação para se promoverem e aos seus negócios. Claro que ninguém compra um jornal só pra salvá-lo. Há um interesse capitalista nisso e acho normal e – até um certo limite – saudável.

Mas é aí que a coisa descamba para a distorção. Distorção esta que só vemos em cidades provincianas como anda sendo a nossa. Estou aqui com um exemplar da edição de número 1400 do Jornal de Jequié de 27 de outubro de 2006. Não é a última edição mas é um perfeito retrato do que quero exemplificar aqui: O Jornal só fala de assuntos ligados de maneira direta ou indireta aos interesses de seu proprietário. Logo na capa vemos as seguintes manchetes, que analisarei ao lado:

  • Prefeitura inicia preparativos para o Natal 2006
    • O dono do Jornal é aliado político do prefeito e em Jequié se você não está claramente ao lado do prefeito está contra ele. E um jornal pra sobreviver nesta cidade sombra quase que obrigatóriamente deve falar sempre e bem do prefeito e de seus feitos. Nada contra a ser aliado ou não do prefeito.
    • Acho normal um jornal municipal falar dos atos de seu executivo; mas não é bem esta a intenção; infelizmente aqui se fala sempre bem e nunca tem nenhuma matéria criticando nada; é algo totalmente tendencioso que chega a ferir os princípios de imparcialidade do jornalismo;
  • Portaria determina venda de pão francês a quilo
    • A única matéria da capa que tem cunho puramente jornalístico;
  • Curso de Economia das Faculdades Integradas de Jequié – FIJ
    • Nesta matéria – em destaque absoluto, inclusive com cor de fundo diferente – se fala de um curso da Faculdade do dono do Jornal.
    • Se fosse propaganda tudo bem. Mas vem disfarçada de matéria;
  • Acadêmicos da FIJ conhecem projetos de agronegócios na Chapada
    • Outra matéria disfarçada. Novamente falando da Faculdade do dono do Jornal;
    • Mais disfarçada que a primeira, inclusive com referência de continuação numa página interna, foto e tudo mais;
    • Impressionante;
  • Publicitário analisa estratégias da campanha de “Sr. Dono do Jornal”
    • Outra matéria disfarçada; agora preparada para falar da campanha vitoriosa para o legislativo do dono do Jornal;

E isto é só na capa. Se levarmos em conta o jornal inteiro, posso fazer rapidamente uma pequena estatística aqui:

  • 7 artigos
    • 2 artigos falando dos cursos da Faculdade do dono do Jornal
    • 1 artigo falando das estratégias de marketing do dono do Jornal em sua campanha
    • 1 artigo falando do prefeito e sua vontade em definir o natal de 2006
    • 1 artigo falando do sucesso da feira de produtos orgânicos (realmente algo jornalístico)
    • 1 artigo falando sobre Domingos Ailton e sua luta como escritor (jornalístico)
    • 1 artigo com a continuação da capa com a matéria do pão a quilo;
  • 9 colunas (das colunas eu não vou falar porque é a única parte do jornal com alguma utilidade efetiva e são bons colunistas felizmente)
  • 1 matéria realmente paga com o Informativo da Câmara de Vereadores de Jequié
  • 9 propagandas de fato
  • 1 propaganda da FM do dono do Jornal
  • 1 propaganda do próprio Jornal
  • 1 propaganda de meia página da Prefeitura de Jequié
  • 1 propaganda de página inteira da Faculdade do dono do Jornal

Eu tento aqui entender só uma coisa: Quem em sã consciência pagaria R$ 1,20 e compraria este jornal? O que ele oferece de fato ao leitor que compense este desenbolso? Acho que é fácil de se chegar a uma conclusão simples: Não é feito pra ser vendido e sim para ser dado. É um papel de propaganda política e empresarial disfarçado de jornal.

E acaba saíndo pela culatra. Um folder falando de seus feitos de político e outro falando de sua maravilhosa faculdade teríam efeitos infinitamente melhores porque o leitor não é burro. Se ele pega um folder sabendo que é para exaltar uma empresa ou alguém ele lê numa boa. Mas se ele vai a uma banca e compra um Jornal ele não quer ler propaganda política nem empresarial disfarçada e sim quer obter informações relevantes sobre a sua cidade. Resultado? Ele não compra mais e ponto.

Sai perdendo novamente a cidade que teve no Jornal de Jequié em seus tempos áureos um dos melhores jornais da Bahia. Hoje reduzido a um folder de propaganda sem muito sentido para este tipo de mídia. Quero dizer com isto que o dono deste jornal não tem feito um bom negócio porque ninguém lê este tipo de matéria acreditando naquilo ou se influenciando de alguma forma.

Este tipo de estratégia é totalmente ultrapassada. O leitor já criou uma auto-proteção para este tipo de tentativa de persuasão. Ele ganharia mais se investisse num bom jornalismo. Nem chego a pedir que seja um jornalismo imparcial porque aí já seria pedir muito. Mas que fosse um bom jornalismo parcial. Já seria alguma coisa.

3 Comentários para “Jornais de Jequié 1: Jornal de Jequié”


  1. 1 Gerson Enviado junho 6th, 2008 - 16:29

    Excelente espaço pra mostrar o absurdo que acontece em Jequié. A agência do INSS há 16 anos permanece num salão do Edificio Multicenter – insalubre e quente – pertencente a familia Borges pagando aluguelzinho garantido enquanto isso tem um terreno do INSS de 1000m2 abandonado a 300 metros desse mesmo local. Ora as obras do PAC deviam contemplar Jequié com uma nova sede do INSS, uma cidade cidade com 180 mil habitantes. Mas a familia Borges toda vez que vai em Brasília frusta esse sonho do jequieense e – é claro – eles não querem isso pois afeta seus bolsos repletos de dinheiro, historicamente. Um absurdo!!! E querer é poder! A prefeitura vai tirar a bliblioteca da atual localização e transferir para o Superlar antigo, área ampla. Jequie merece! Parabens! Mas se Cesar Borges fosse dono da sede da atual bliblioteca isso jamais se realizaria!

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  2. 2 Dra. Maria Hilda Sanches Maia Enviado dezembro 12th, 2008 - 15:46

    A cidade de Planaltino está entregue a própria sorte. Está uma lástima e ninguém faz nada. Não há segurança, não há policiamento, não há delegado, as pessoas fazem o que querem e não há punição nenhuma. O desrespeito pelo cidadão é total. Não há médicos, não há nenhum serviço de saúde básico, moderado e muito menos complexo. As pessoas estão morrendo à míngua. Não há educação decente, as escolas encerraram as atividades no final de outubro e ninguém faz nada. A Prefeita não paga ninguém, os funcionários públicos estão sem salários… uma tragédia! O marido da Prefeita é viciado em jogos de azar e gasta todas as verbas da Prefeitura nas mesas de jogos enquanto o povo morre à míngua… Bares, cafés colocam seus equipamentos de som numa altura absurda e ninguém pode reclamar. Os veículos param em frente às casas e colocam o som no úultimo volume e os donos das casas não podem falar nada pois se algo der errado não tem polícia pra protegê-los. A CIDADE TÁ UMA ZONA, POR FAVOR, ALGUÉM PODE FAZER ALGUMA COISA !!!!!?? PEQUENOS ROUBOS, FURTOS, DROGAS POR TODA PARTE. TÁ UMA DESGRAÇA.

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  3. 3 Jovelina Ramos Pinto Enviado julho 18th, 2009 - 22:28

    Oi sou de Quata-sp a 27 anos procuro por parentes em jequié sou filha de João Domingos Pinto, neta de Bernardino Francisco Pinto e Maria dos Anjos de Jesus. Se puder me ajudar me mande um recado no orkut nesse eamil jo_jovelina@hotmail.com Obrigado

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