O Jornal de Jequié é praticamente uma instituição na nossa cidade. Foi fundado em 5 de julho de 1945 pelos jornalistas, membros fundadores da Academia de Letras de Jequié e amigos Wilson Novaes (o pai) e Eusínio Bonfim. Estava praticamente morto quando foi comprado e salvo do fechamento por um importante político de nossa cidade que - não por acaso - também é dono de uma rádio FM, de um Colégio Particular de 2º grau e uma Faculdade.
Acho normal que os políticos utilizem os meios de comunicação para se promoverem e aos seus negócios. Claro que ninguém compra um jornal só pra salvá-lo. Há um interesse capitalista nisso e acho normal e - até um certo limite - saudável.
Mas é aí que a coisa descamba para a distorção. Distorção esta que só vemos em cidades provincianas como anda sendo a nossa. Estou aqui com um exemplar da edição de número 1400 do Jornal de Jequié de 27 de outubro de 2006. Não é a última edição mas é um perfeito retrato do que quero exemplificar aqui: O Jornal só fala de assuntos ligados de maneira direta ou indireta aos interesses de seu proprietário. Logo na capa vemos as seguintes manchetes, que analisarei ao lado:
- Prefeitura inicia preparativos para o Natal 2006
- O dono do Jornal é aliado político do prefeito e em Jequié se você não está claramente ao lado do prefeito está contra ele. E um jornal pra sobreviver nesta cidade sombra quase que obrigatóriamente deve falar sempre e bem do prefeito e de seus feitos. Nada contra a ser aliado ou não do prefeito.
- Acho normal um jornal municipal falar dos atos de seu executivo; mas não é bem esta a intenção; infelizmente aqui se fala sempre bem e nunca tem nenhuma matéria criticando nada; é algo totalmente tendencioso que chega a ferir os princípios de imparcialidade do jornalismo;
- Portaria determina venda de pão francês a quilo
- A única matéria da capa que tem cunho puramente jornalístico;
- Curso de Economia das Faculdades Integradas de Jequié - FIJ
- Nesta matéria - em destaque absoluto, inclusive com cor de fundo diferente - se fala de um curso da Faculdade do dono do Jornal.
- Se fosse propaganda tudo bem. Mas vem disfarçada de matéria;
- Acadêmicos da FIJ conhecem projetos de agronegócios na Chapada
- Outra matéria disfarçada. Novamente falando da Faculdade do dono do Jornal;
- Mais disfarçada que a primeira, inclusive com referência de continuação numa página interna, foto e tudo mais;
- Impressionante;
- Publicitário analisa estratégias da campanha de “Sr. Dono do Jornal”
- Outra matéria disfarçada; agora preparada para falar da campanha vitoriosa para o legislativo do dono do Jornal;
E isto é só na capa. Se levarmos em conta o jornal inteiro, posso fazer rapidamente uma pequena estatística aqui:
- 7 artigos
- 2 artigos falando dos cursos da Faculdade do dono do Jornal
- 1 artigo falando das estratégias de marketing do dono do Jornal em sua campanha
- 1 artigo falando do prefeito e sua vontade em definir o natal de 2006
- 1 artigo falando do sucesso da feira de produtos orgânicos (realmente algo jornalístico)
- 1 artigo falando sobre Domingos Ailton e sua luta como escritor (jornalístico)
- 1 artigo com a continuação da capa com a matéria do pão a quilo;
- 9 colunas (das colunas eu não vou falar porque é a única parte do jornal com alguma utilidade efetiva e são bons colunistas felizmente)
- 1 matéria realmente paga com o Informativo da Câmara de Vereadores de Jequié
- 9 propagandas de fato
- 1 propaganda da FM do dono do Jornal
- 1 propaganda do próprio Jornal
- 1 propaganda de meia página da Prefeitura de Jequié
- 1 propaganda de página inteira da Faculdade do dono do Jornal
Eu tento aqui entender só uma coisa: Quem em sã consciência pagaria R$ 1,20 e compraria este jornal? O que ele oferece de fato ao leitor que compense este desenbolso? Acho que é fácil de se chegar a uma conclusão simples: Não é feito pra ser vendido e sim para ser dado. É um papel de propaganda política e empresarial disfarçado de jornal.
E acaba saíndo pela culatra. Um folder falando de seus feitos de político e outro falando de sua maravilhosa faculdade teríam efeitos infinitamente melhores porque o leitor não é burro. Se ele pega um folder sabendo que é para exaltar uma empresa ou alguém ele lê numa boa. Mas se ele vai a uma banca e compra um Jornal ele não quer ler propaganda política nem empresarial disfarçada e sim quer obter informações relevantes sobre a sua cidade. Resultado? Ele não compra mais e ponto.
Sai perdendo novamente a cidade que teve no Jornal de Jequié em seus tempos áureos um dos melhores jornais da Bahia. Hoje reduzido a um folder de propaganda sem muito sentido para este tipo de mídia. Quero dizer com isto que o dono deste jornal não tem feito um bom negócio porque ninguém lê este tipo de matéria acreditando naquilo ou se influenciando de alguma forma.
Este tipo de estratégia é totalmente ultrapassada. O leitor já criou uma auto-proteção para este tipo de tentativa de persuasão. Ele ganharia mais se investisse num bom jornalismo. Nem chego a pedir que seja um jornalismo imparcial porque aí já seria pedir muito. Mas que fosse um bom jornalismo parcial. Já seria alguma coisa.



Excelente espaço pra mostrar o absurdo que acontece em Jequié. A agência do INSS há 16 anos permanece num salão do Edificio Multicenter - insalubre e quente - pertencente a familia Borges pagando aluguelzinho garantido enquanto isso tem um terreno do INSS de 1000m2 abandonado a 300 metros desse mesmo local. Ora as obras do PAC deviam contemplar Jequié com uma nova sede do INSS, uma cidade cidade com 180 mil habitantes. Mas a familia Borges toda vez que vai em Brasília frusta esse sonho do jequieense e - é claro - eles não querem isso pois afeta seus bolsos repletos de dinheiro, historicamente. Um absurdo!!! E querer é poder! A prefeitura vai tirar a bliblioteca da atual localização e transferir para o Superlar antigo, área ampla. Jequie merece! Parabens! Mas se Cesar Borges fosse dono da sede da atual bliblioteca isso jamais se realizaria!