O Rio é Aqui também

Joe Edman 08abr10

Todos estamos vendo através dos meios de comunicação o grande estrago que a chuva tem feito lá no Rio enquanto digito este texto.

Acabei me lembrando que em janeiro deste mesmo ano de 2010, enquanto nosso avião sobrevoava a cidade de São Paulo à noite esperando a vez pra pousar em Guarulhos, dava pra ver do avião as marginais do rio Tietê completamente alagadas… as águas tinham tomado tudo. Se de cima dava pra ver o quanto a coisa tava feia, imagine os coitados lá embaixo tentando chegar em casa com aquele caos todo.

Aí eu imagino o seguinte: tenho certeza que naquele momento os cariocas (e também nós pelo Brasil) estavam assistindo aquilo tudo da TV e sentindo pena dos paulistas sem sequer imaginar que em apenas dois meses, aquilo – ou pior – estaria acontecendo com eles mesmos. Hoje são os paulistanos que estão assistindo a tudo pela TV e certamente – por terem passado pelo mesmo problema recentemente – se condolescendo de seus vizinhos.

Continuo meu pensamento afirmando que nós aqui que sempre vimos estes alagamentos malucos pelos jornais provavelmente também achamos que nada parecido pode acontecer em nossa pacata cidade. Que é impossível algo nestas proporções.

Pois eu digo que é possível:

Hoje uma pequena chuva tem caído em nossa cidade. Passeando pelas ruas já dá pra ver o tamanho do impacto que uma chuvinha dessas já causa por aí. A 2 de julho – que foi somente onde eu ví – estava com a água no limite pra entrar nas lojas mais baixas. O escoamento não dá conta de uma chuvinha destas… quiçá se chover aos torrilhões como está acontecendo lá no Rio ou como houve em janeiro em Sampa.

Quando construiu aquela porcaria que chamam de praça Rui Barbosa, o prefeito anterior se cercou de gente “muito bem intencionada” e, juntos, fizeram um trabalho de gênio naquele lugar. Um belo exemplo são as lojas que ficam embaixo do belvedere que foram construídas abaixo do nível da praça. Qualquer chuva pouca que caia, os comerciantes daquele lugar se dão com uma cachoeira de água suja que desce pelas escadas laterais e que depois, sem nenhuma cerimônia se vão a penetrar em seus estabelecimentos. O coitado do engenheiro que projetou aquilo lá desconhece as forças de São Pedro e menos ainda respeita a lei da gravidade. Qualquer pedreirozinho que faz bicos mal feitos por aí saberia que aquilo seria um desastre… “Mas e daí? Quem liga? A grana já tá no bolso mesmo!”

E pra terminar vamos agradecer aos nossos cidadãos jequieenses e – por extensão – os do Rio e de Sampa. Obrigado seus maleducados! Pelos papéis e sacos plásticos que vocês jogam nas ruas todos os dias! Obrigado a quem embola e joga no chão aquele papelzinho da mãe de santo chato que um outro idiota fica entregando na esquina. Valeu aí por aquele copinho descartável que você descartou na rua porque a lata de lixo tava muito longe. Valeu aí você – dono daquele restaurante – que tapa aquele bueiro com peneus cortados só porque o danado fica na porta da sua loja e você não quer que aquele cheiro atrapalhe suas vendas. E por último, mas não menos importante, valeu aí senhores doutores engenheiros super inteligentes que projetam os sistemas de escoamento das cidades. Vocês são tudo gente boa. Devemos tudo a vocês…

Não quero ser o mensageiro da desgraça, mas sugiro aos jequieenses que comprem logo suas canoas, lanchas e jet-skys (para os mais abastados, é claro) pois quando rolar qualquer chuva mais importante nosso centro vai ser completamente navegável. E aí não mais assistiremos aos alagamentos pela TV e sim pela janela.

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