Num belo dia de ócio executivo um de nossos prefeitos e seus acessores e bufões – num destes raros momentos em que vários idiotas juntos conseguem ter boas idéias – inventaram o projeto das velas culturais.
Pra quem não conhece ou não se lembra mais (nós brasileiros temos este defeito de fábrica), as velas culturais são aquelas construções horríveis que temos em várias de nossas praças espalhadas pelo município de Jequié (colocaram em alguns distritos também) onde a prefeitura prestava um serviço de acesso à internet e a computadores com aulas de informática à população de baixa renda.
Devo admitir que foi uma ótima idéia, embora implementada de forma muito estranha. Isto sem mencionar a fábula de dinheiro que foi gasto pra construir os prédios e montar toda a estrutura de computadores, móveis, acesso a internet, etc… dizem que a grana que eles gastaram dava pra colocar 3 velas culturais em cada praça de Jequié.
Tudo muito bom, tudo muito bonitinho e funcionando de forma maravilhosa. Até que acaba o mandato e o prefeito faz um sucessor que toca o “barco” e mantem as velas asteadas e funcionando. Uma maravilha…
Até que num belo dia o então novo prefeito e o prefeito anterior que o fez com sucessor – amigos inseparáveis que eram – brigam feio. Ocorre o racha. E quase que imediatamente, uma a uma, as velas culturais são sucateadas e começam a fechar suas portas à comunidade. Como se a comunidade tivesse algo que ver com a briga dos ex-amigos de infância.
Este prefeito logo depois gastou fábulas de dinheiro comprando vários imóveis pela cidade (o antigo SuperLar virou a nova biblioteca, o antigo Cine Auditório virou casa de shows, o antigo INPS virou Casa de Itália, mas nunca abriu as portas, inclusive a inauguração foi feita com o imóvel ainda sem energia. E por aí vai…) mas as úteis velas culturais foram propositadamente ignoradas e se tornaram elefantes brancos e amarelos horríveis espalhados em nossas praças.
Espero que o prefeito atual olhe pra estas construções e lhes dê alguma utilidade. E eu ainda sonho com o dia em que os nossos governantes passem a pensar no bem público como uma empresa que deve ser gerida com continuidade e parem de deixar morrer todos os projetos dos prefeitos anteriores por simples capricho ou infantilidade.



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